AGRONEGÓCIO

Geossintético: aliado do agronegócio

Geossintético: aliado do agronegócio

O uso de geossintéticos no agronegócio é recente e necessita ser amplamente difundido por se tratar de um importante instrumento de produção e de preservação ambiental. Em uma época como a atual, em que o meio ambiente se tornou o tema central dos debates mundo afora, convém conciliar a produção crescente de alimentos com os meios adequados para evitar a contaminação do solo e dos lençóis freáticos, consequentemente de rios e mares.

Vale ressaltar que o Brasil conta com duas leis federais que direcionam as legislações estaduais e municipais sobre a questão ambiental. Uma é a Lei 6.938/81, que define a Política Nacional do Meio Ambiente, e a outra é a Lei 9.433/97, que instituiu a Política Nacional dos Recursos Hídricos. Ambas tem em comum o objetivo da adequada gestão dos recursos naturais de forma a preservar, melhorar, recuperar e garantir a qualidade para assegurar o desenvolvimento socioeconômico e a dignidade humana.

Para quem, até o momento, não trabalhou com os geossintéticos, eles têm uma ampla gama de aplicações em obras de construção civil e geotecnia, muitas delas necessárias no setor do agronegócio. Em forma de geomantas, geogrelhas, georedes, geomembranas, geotubos, entre outros, são usados para proteção, filtração, drenagem, reforço, separação e barreira de impermeabilização de solo. 

É nesse ponto que os geossintéticos se mostram verdadeiros aliados do agronegócio. Transferindo a informação do parágrafo anterior para a realidade do agribusiness, eles são ideais para aplicação em esterqueiras, cisternas rurais, impermeabilização de reservatórios (de água, de criadouros como na carnicicultura, entre outros), camadas drenantes, etc. Essas aplicações trazem aumento na produtividade e, além disso, proteção de solos e aquíferos.

Vamos usar como exemplo a criação de camarão em cativeiro. Os geossintéticos são essenciais para evitar que os efluentes dos viveiros provoquem contaminação das águas por fungicidas, ou mesmo a salinização dos lençóis freáticos e do solo nos arredores das fazendas, impossibilitando a agricultura nesses locais. 

Em outros tipos de criação, como de cavalos, de gado, suínos, etc, os geossintéticos aparecem em aplicações como esterqueiras, onde os resíduos dos estábulos e currais, a água, as fezes e a urina dos animais são lançados. Os geossintéticos nessa aplicação evitam qualquer contaminação de solo, lagos e rios.

Uma das questões que envolvem o agronegócio é o uso racional da água. Em tempos de crise hídrica, que afeta o pequeno, médio e o grande produtor, os geossintéticos participam de soluções como cisternas agrícolas para armazenagem de água e sistemas de canalização para irrigação de grandes áreas de plantio sem desperdício desse recurso. 

Também são usados em sistemas de irrigação simples ou mesmo os que usam a irrigação para a distribuição dos defensivos agrícolas. Em tempos de chuvas abundantes, os geossintéticos também são funcionais em sistemas de drenagem, evitando o ?encharcamento? do solo e a perda da produção pelo excesso de água.

Além destas opções apresentadas anteriormente, o Brasil começa a explorar em grande escala a geração de biogás através de biodigestores construídos com geomembranas para confinamento dos efluentes e seu processo de geração, com isso o que anteriormente se tratava de resíduo e tinha-se um gasto para tratar hoje é fonte de geração de riqueza.

Mas ter conhecimento de toda essa funcionalidade e versatilidade não basta. Os geossintéticos usados no agronegócio, assim como em qualquer outra área, obedecem a normas de fabricação e controle de qualidade que devem ser exigidas pelo investidor no ato da aplicação. Sem isso, a eficiência das aplicações e a segurança ao meio ambiente podem ser comprometidas.

Em maio de 2013, foi publicada a Norma ABNT ISO 10320, sobre os geotêxteis e produtos correlatos e sua identificação na obra. Essa norma exige parâmetros mínimos de identificação para que um geossintético possa ser comercializado no mercado. Aproveito para reforçar que um dos trabalhos do Comitê Técnico de Geossintéticos da ABINT (Associação Brasileira das Indústrias de Nãotecidos e Tecidos Técnicos) é difundir a aplicação dessa norma para que projetistas, compradores, engenheiros e a fiscalização possam controlar o material que é usado, além de sua instalação adequada, garantindo assim a eficácia do projeto.

Além das normas, é preciso tomar outros cuidados como escolher a área adequada, observar as licenças necessárias emitidas por órgãos responsáveis de cada região, avaliar o solo local, realizar ensaios de estanqueidade ou controle das soldas, escolher o material adequado para cada tipo de aplicação e contratar instalador capacitado para a realização do projeto.

O segmento de geossintéticos investe continuamente em pesquisa e desenvolvimento para atender as demandas do mercado de forma eficaz e competitiva. Por outro lado, o agronegócio necessita conciliar sua alta produtividade com a proteção do meio ambiente, até porque a não preocupação com esse fator pode afetar suas exportações, devido à política ambiental dos principais países compradores. Em suma, há muita oportunidade a ser compartilhada por ambos o setores, com ganhos reais para a natureza e para a economia do país.

*Fabricio Zambotto, coordenador do CTG - Comitê Técnico de Geossintéticos da ABINT (Associação Brasileira das Indústrias de Nãotecidos e Tecidos Técnicos).

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