Semana do Meio Ambiente: sustentabilidade na engenharia exige responsabilidade

Por Eng. Samira Paranhos
A Semana do Meio Ambiente representa um importante momento de reflexão sobre o impacto das atividades humanas e industriais no planeta. No contexto da engenharia, essa discussão ganha ainda mais relevância ao considerarmos que infraestrutura, mineração, saneamento e obras geotécnicas possuem relação direta com a preservação ambiental, a gestão de recursos naturais e a segurança das estruturas construídas.
Sob a ótica dos geossintéticos, frequentemente apresentados como soluções sustentáveis para desafios geotécnicos, hidráulicos e ambientais, é fundamental ampliar o debate para além da aplicação dos materiais em si. Mais do que utilizar soluções consideradas ambientalmente adequadas, é necessário garantir que todas as etapas envolvidas ? do projeto à operação do sistema ? sejam conduzidas com rigor técnico e responsabilidade.
A eficiência ambiental de uma obra não depende apenas da escolha de um geossintético, mas da correta especificação dos materiais, da qualidade de fabricação, dos critérios de instalação, da fiscalização executiva e do desempenho esperado ao longo da vida útil da estrutura. A negligência em qualquer uma dessas etapas pode comprometer completamente o sistema e resultar em consequências ambientais severas.
Os geotêxteis, por exemplo, desempenham funções fundamentais de filtração, separação, drenagem e proteção mecânica. Entretanto, para que cumpram adequadamente essas funções, é indispensável que apresentem conformidade com as propriedades especificadas em projeto, como massa por unidade de área, resistência à tração, permissividade e características hidráulicas compatíveis com a aplicação. Materiais produzidos fora das especificações, com variabilidade excessiva ou utilização inadequada de matéria-prima podem comprometer o desempenho hidráulico e mecânico do sistema, resultando em colmatação de filtros, perda de capacidade drenante e falhas estruturais.
Da mesma forma, as geomembranas, amplamente utilizadas como barreiras de fluxo em sistemas de contenção, dependem diretamente da qualidade de fabricação, da integridade durante a instalação e da durabilidade frente às condições de exposição e operação. Espessuras inferiores às especificadas, defeitos, baixa resistência mecânica ou falhas executivas podem gerar perfurações, rasgos e perda de estanqueidade, permitindo a contaminação do solo e dos recursos hídricos subterrâneos.
Entre os materiais que demandam atenção especial, destacam-se os GCLs (Geosynthetic Clay Liners), empregados como barreiras hidráulicas em sistemas ambientais. O desempenho desses materiais está diretamente associado à massa de bentonita incorporada, à uniformidade da distribuição mineral, à baixa permeabilidade e à adequada adesão entre os componentes do sistema. Em aplicações em taludes, aspectos relacionados à resistência ao cisalhamento interno e à resistência à tração tornam-se ainda mais críticos. A utilização de materiais fora das especificações pode comprometer significativamente a eficiência da barreira hidráulica, resultando em infiltrações, migração de contaminantes e falhas de contenção.
As geogrelhas também possuem papel estratégico em obras de solo reforçado e estruturas de contenção. Nesse cenário, fatores de redução associados a danos de instalação, fluência e degradação ambiental precisam representar adequadamente as condições reais de aplicação. Informações inconsistentes sobre desempenho mecânico ou resistência de longo prazo podem comprometer a estabilidade global das estruturas, aumentando os riscos operacionais e ambientais.
Diante desse contexto, a Semana do Meio Ambiente também deve servir como um alerta técnico para o setor da engenharia. Sustentabilidade deve ser tratada além de um conceito associado ao uso de determinados materiais ou tecnologias. Ela depende, necessariamente, de controle de qualidade, rastreabilidade, conformidade normativa, fiscalização eficiente e responsabilidade técnica em todas as etapas do empreendimento.
Em geotecnia ambiental, pequenas falhas podem resultar em impactos de grandes proporções. Por isso, mais do que adotar soluções geossintéticas, é essencial garantir que elas sejam efetivamente capazes de cumprir, com segurança e durabilidade, as funções para as quais foram projetadas.
A preservação ambiental, dentro da engenharia, está diretamente relacionada à qualidade das decisões técnicas tomadas ao longo de todo o ciclo de vida de uma obra.
*Samira Paranhos, engenheira geotécnica especialista em geossintéticos e coordenadora do CTG ABINT.
Sobre o CTG-ABINT: composto por empresas fabricantes e distribuidoras de Geossintéticos no Brasil e associadas à ABINT, o CTG-ABINT tem como objetivo divulgar as aplicações dos Geossintéticos em obras dos segmentos Ambiental, Agronegócio, Construção Civil, Infraestrutura, Mineração, Transporte, entre outros, bem como difundir os conceitos de qualidade a serem observados por fabricantes e usuários, contribuindo para o desenvolvimento mercadológico de forma ética e responsável. Para saber mais acesse www.geossinteticos.org.br
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